terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Sabonete íntimo


Se tem uma coisa que eu gosto é tatuagem! Até por isso, tenho nove. A história que vou contar agora é sobre uma delas, a segunda que eu fiz, uma relativamente grande, que toma todo o meu ombro esquerdo.
Para quem não sabe, ou nunca percebeu, eu sou negão. Ou seja, tatuagem para aparecer no meu courinho tem que ser daquelas boas! Bem pintada! Nada de tracinhos delicados. Tinta preta com vontade! E como resultado, a cicatrização é mais dolorida até do que o momento de fazer a tattoo.
Eu sempre presto muita atenção às recomendações do tatuador, uso o plástico, a pomada, mesmo assim, sempre fica muito tempo sangrando, dolorido, sujando tudo.
Essa tatuagem já tinha com ela um quê de sofrimento especial, ela já estava sendo “pintada” pela segunda vez, eu havia pedido um help para meu amigo José, que depois fez cinco das minhas nove tatuagens, essa não era trabalho dele, e eu achava que ela não estava preta o suficiente, então um mês depois de feita, eu já decidi pintar tudo novamente, e quem já tem tattoo sabe, isso dói! Muito! Sério!
O José sempre faz as mesmas recomendações: “lave com água corrente fria, seque com pano limpo, passe uma fina camada de pomada e proteja com o plástico.”. Eu já sei de cor.
Sabendo de todas as recomendações, aquele belo dia, algumas horas depois de terminada a sessão de tatuagem, sangrando muito ainda, eu angustiado para lavar o ombro, entrei no chuveiro, já sabendo que seria muito ardido.
Já lá dentro do box, chuveiro aberto, avistei algo que me pareceu uma ótima ideia. Sabonete íntimo feminino!
Meu raciocínio... o negócio é feito para lavar uma parte ultra sensível, ultra delicada... deve ser bom para lavar tatuagem! E ainda deve deixar um cheirinho bom!
Coloquei na minha mão e passei na tatuagem. Rapaz... aquilo foi como ácido sulfúrico! Não, não era uma boa ideia.
Aquilo queimava! E eu sem poder esfregar porque a pele recém tatuada arde só de olhar pra ela, eu não podia sair correndo, afinal estava pelado (e não faria sentido). Eu estava desesperado, deixando a água correr no meu ombro, e me sentido o cara mais idiota do mundo.
Aqueles minutos pareceram horas, mas a ardência aos poucos foi passando, eu não sou escandaloso, mesmo em desespero, não gritei, xinguei ou coisa do tipo, afinal, a época eu era casado, e eu não passaria por esse ridículo diante da esposa, isso faria minha dignidade escorrer pelo ralo junto com a espuma do sabonete.

Me recuperei, me sequei, passei a fina camada de pomada, coloquei o plástico, saí do banheiro, quando passei pela minha ex-esposa eu só falei: “Nunca tatue a periquita”.

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